
Pinhão chega à merenda escolar e região de Irati se destaca entre as maiores produtoras do Paraná
Alimento tradicional será servido nas escolas estaduais entre junho e agosto; Inácio Martins responde por quase 15% da produção paranaense da semente.
Símbolo da cultura e da gastronomia paranaense, o pinhão volta a ganhar destaque nos cardápios da alimentação escolar da rede estadual durante os meses de junho, julho e agosto. A iniciativa fortalece a agricultura familiar, amplia o acesso dos estudantes a um alimento tradicional do Paraná e acompanha o período de colheita e comercialização da semente, cuja produção é liderada pelo Estado.
Nos últimos sete anos, a distribuição de pinhão proveniente da agricultura familiar para a alimentação escolar movimentou cerca de R$ 311 mil e totalizou mais de 36 toneladas do produto. Ao todo, 470 escolas de 86 municípios paranaenses foram beneficiadas pela iniciativa.
Somente em 2024 e 2025, mais de 12 toneladas de pinhão foram distribuídas para 344 escolas localizadas em 73 municípios do Paraná. A previsão é que o fornecimento continue neste ano, ampliando a presença do alimento nas refeições servidas aos estudantes.
Segundo o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, a alimentação escolar também desempenha um papel importante na valorização da cultura e da produção regional.
“Ao inserir o pinhão nos cardápios, aproximamos os estudantes de um alimento tradicional do Paraná, ao mesmo tempo em que valorizamos a produção local e ampliamos a oferta de refeições nutritivas nas escolas”, destacou.
Alimento une tradição e valor nutricional
Além da importância cultural, o pinhão também se destaca pelo valor nutricional. Rico em fibras, vitaminas e minerais, o alimento fornece energia e contribui para uma alimentação equilibrada.
A semente pode ser utilizada como complemento ou substituição parcial de ingredientes como arroz, batata, mandioca e milho, ampliando as opções de preparo nas cozinhas escolares.
De acordo com a nutricionista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), Elissandra Brito, o pinhão é adquirido pela rede estadual em sua forma in natura e pode ser servido cozido ou utilizado em diversas receitas.
Entre as preparações estão sopas, refogados, tortas salgadas, risotos e farofas.
“A versatilidade do produto permite sua inclusão em receitas adaptadas aos hábitos alimentares dos estudantes durante os meses mais frios do ano”, explicou.
A aceitação do alimento pelos alunos tem sido positiva em diferentes escolas da rede estadual. No Colégio Estadual Professor Máximo Asinelli, em Curitiba, o pinhão já faz parte da alimentação escolar durante o período de inverno.
Segundo o diretor da instituição, Delirio Bonin, os estudantes aprovam a iniciativa.
“Para o colégio, é mais uma opção, principalmente para este período de inverno. Os alunos gostam e falam que é acolhedor como a casa da vovó”, afirmou.
Paraná lidera a produção nacional
Além de integrar a alimentação escolar e a cultura regional, o pinhão também possui importância econômica para o Paraná.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Estado liderou a produção nacional da semente em 2024, com 4,8 mil toneladas colhidas. O volume foi cerca de 30% superior ao registrado por Santa Catarina, segundo colocado no ranking nacional, com 3,7 mil toneladas.
Dados mais recentes da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) apontam que o Paraná alcançou em 2024 o maior volume de produção de pinhão da série histórica, totalizando 5.022 toneladas.
O crescimento foi de 60,4% em comparação com 2015, quando a produção estadual somou 3.130 toneladas. No mesmo período, o Valor Bruto da Produção (VBP) passou de R$ 13,8 milhões para R$ 25,8 milhões.
Região de Irati está entre as maiores produtoras do Paraná
A região de Irati também tem papel de destaque na produção de pinhão no Estado. Segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o município de Inácio Martins foi o segundo maior produtor paranaense em 2024, com 750 toneladas colhidas. O volume representa 14,9% de toda a produção estadual, ficando atrás apenas do município de Pinhão, na região de Guarapuava.
O resultado reforça a importância econômica da cultura da araucária para o Centro-Sul do Paraná e evidencia a forte ligação da região com um dos alimentos mais tradicionais da culinária paranaense.
Os três principais produtores de pinhão do Paraná em 2024 foram Pinhão, com 880 toneladas (17,5% da produção estadual), Inácio Martins, com 750 toneladas (14,9%), e Turvo, com 440 toneladas (8,8%).
Juntos, os três municípios responderam por 42% de toda a produção paranaense da semente, demonstrando a força da região Centro-Sul na cadeia produtiva do pinhão.
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Fonte da notícia:AEN - Agência de Notícias do Paraná
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