
Chacina em Irati: réus começam a ser julgados por crime que chocou a região
Um dos acusados é policial militar; julgamento será transmitido ao vivo e pode ser o mais longo da história da cidade
O julgamento dos três acusados pela chacina que deixou cinco mortos na Vila São João, em Irati (PR), começou hoje, terça-feira (4). Entre os réus está um policial militar.
O caso, ocorrido em junho de 2022, chocou a população e se tornou um dos mais complexos já registrados na comarca. As informações foram apuradas pela Folha de Irati.
O Tribunal do Júri está sendo realizado no Fórum de Irati com transmissão ao vivo pelo Facebook do Portal Irati, clique aqui e pelo canal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) no YouTube.
A previsão é de que o julgamento dure vários dias, por causa do número de testemunhas e da quantidade de provas.
Segundo a Constituição Federal, crimes dolosos contra a vida são julgados por júri popular. O processo, segundo o juiz Dawber Gontijo Santos, seguirá os mesmos parâmetros de qualquer outro caso dessa natureza.
“O julgamento se baseia nos ditames da Constituição, do Código Penal e do Código de Processo Penal”, afirmou o magistrado, em nota enviada à Folha de Irati. “Os réus terão pleno direito à defesa, e sete jurados decidirão o caso de forma imparcial, conforme as provas dos autos.”
Para garantir a segurança e o andamento do júri, o Fórum terá acesso controlado e reforço no policiamento, com apoio da Polícia Militar, da Guarda Municipal e do Departamento Penitenciário.
Os réus respondem por homicídio qualificado, com possíveis agravantes como motivo torpe e uso de meio que gerou perigo comum. Cada homicídio pode resultar em pena de 12 a 30 anos de prisão. Como há cinco vítimas, as penas podem ser somadas em caso de condenação.
Relembre o caso
A chacina ocorreu na noite de 16 de junho de 2022, durante o feriado de Corpus Christi. Cinco pessoas foram mortas dentro de uma casa na Vila São João: Wellington Vieira de Andrade (21), Jaine Shaiane Fernandes (27), Alex César Ferreira (24), Danilo Vinícius Gaioch Conrado (18) e Ednaldo de Souza Nascimento (33).
Segundo a Polícia Civil, os criminosos chegaram ao local por uma área de mata e abriram fogo contra as vítimas. A suspeita é de que o alvo fosse apenas uma das pessoas na residência, mas outras acabaram atingidas. Um bebê e outra pessoa sobreviveram.
As investigações foram concluídas em setembro de 2022. Três suspeitos foram presos: o policial militar, detido na delegacia onde trabalhava; outro homem, que se apresentou em Piracicaba (SP); e um terceiro, também preso na mesma cidade.
O delegado responsável pelo caso na época, Paulo Eugênio Ribeiro, afirmou que a motivação teria sido um conflito familiar. A perícia encontrou marcas de tiros nas paredes e indícios de troca de disparos dentro da casa. Um dos autores teria sido ferido no braço durante o ataque.
Apesar de envolver um agente da Polícia Militar, o processo tramita na Justiça comum, sem tratamento diferenciado.
Todos os atos processuais são acompanhados pelo Ministério Público, pela defesa e pelo juiz.
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