
“Não participei de nenhum crime. Respeito a Justiça, respeito a decisão mas essas mãos não mataram ninguém”, afirmou o policial militar Arnoldo Skubisz Neto
O Tribunal do Júri encerrou, na noite desta quinta-feira (6), o julgamento que condenou três pessoas a penas que, somadas, ultrapassam 200 anos de prisão em regime fechado.
O Tribunal do Júri encerrou, na noite desta quinta-feira (6), o julgamento que condenou três pessoas a penas que, somadas, ultrapassam 200 anos de prisão em regime fechado.
O caso que ficou conhecido como a chacina da Vila São João, ocorrida em 2022, resultou na morte de cinco pessoas: Wellington Vieira de Andrade, conhecido como “Tom” (21), Jaine Shaiane Fernandes (27) que deixou um filho, Alex César Ferreira (24), Danilo Vinícius Gaioch Conrado (18) e Ednaldo de Souza Nascimento, o “Nardinho” (33).
Após três dias de sessões, o Conselho de Sentença reconheceu a culpa dos três réus: o policial militar Arnoldo Skubisz Neto, sua irmã Franciele Skubisz e o cunhado Welliton da Silva Rodrigues pelos crimes de homicídio qualificado.
A leitura da sentença foi feita pelo juiz Dawber Gontijo Santos, no Fórum da Comarca de Irati, e marcou o encerramento do julgamento mais longo já realizado no município. Somadas, as penas ultrapassam 200 anos de reclusão:
Franciele Skubisz: 94 anos, 4 meses e 7 dias de prisão (limitados a 40 anos de cumprimento).
Welliton da Silva Rodrigues: 71 anos, 10 meses e 22 dias (também limitados a 40 anos).
Arnoldo Skubisz Neto: 38 anos, 4 meses e 15 dias de reclusão.
Os três réus deverão cumprir a pena em regime fechado, com prisão imediata e poderão recorrer da decisão.
De acordo com a decisão, os jurados reconheceram as qualificadoras de meio cruel, recurso que dificultou a defesa das vítimas e crime praticado para assegurar a impunidade de outro delito, entre outras. O julgamento foi acompanhado por familiares das vítimas, autoridades locais e moradores da cidade, que lotaram o plenário durante os três dias de sessão.
Também foi transmitido ao vivo pelo TJPR.
“Não participei de nenhum crime. Respeito a Justiça, respeito a decisão mas essas mãos não mataram ninguém”, afirmou o policial militar Arnoldo Skubisz Neto, logo após ouvir a sentença que o condenou. Welliton da Silva Rodrigues também declarou ser inocente, enquanto Franciele Skubisz permaneceu em silêncio quando teve a oportunidade de falar.
Debates marcados por embates e apresentação de provas técnicas:
A fase de debates, que começou na quarta-feira (5), foi uma das mais tensas do julgamento. O promotor de Justiça, Eduardo Ratto, apresentou laudos balísticos, exames genéticos, dados de telefonia e vestígios de armas e veículos, afirmando que as provas apontam a participação dos três acusados na chacina.
A defesa tentou derrubar as acusações, dizendo que o policial militar Arnoldo Skubisz Neto não estava na cena do crime. O promotor rebateu cada ponto, reforçando a tese da acusação.
Na quinta-feira (6), os advogados dos réus voltaram a falar, questionando as provas apresentadas, principalmente a espingarda calibre 12 apreendida. Depois disso, o Ministério Público fez nova réplica, e a defesa encerrou o debate insistindo na inocência dos três.
Foram horas de discussões acaloradas, trocas de argumentos e exibição de provas que mantiveram o público atento durante todo o julgamento. No fim dos debates, o Conselho de Sentença se retirou para decidir o destino dos acusados.
A sentença representa o desfecho de um dos casos criminais mais marcantes de Irati, que mobilizou a comunidade e as forças de segurança pela brutalidade dos assassinatos.
Próximos passos legais:
Mesmo com a sentença já proferida, o caso ainda não chegou ao fim. A defesa dos réus afirmou que respeita a decisão do Tribunal do Júri, mas pretende recorrer dentro dos prazos previstos pela Justiça.
Enquanto os recursos tramitam, os três condenados seguem presos e devem permanecer sob custódia até a conclusão definitiva do processo.
A decisão representa uma resposta firme do Judiciário a um crime que abalou profundamente a população de Irati e de toda a região Centro-Sul do Paraná, marcando um marco importante na busca por justiça em um dos casos mais chocantes da história recente do município.
Leia também

Piso do magistério tem reajuste de 5,4% e vai a R$ 5,1 mil em 2026

PM encontra mais de 11 kg de maconha em mochila durante fiscalização em Inácio Martins

Homem é preso em flagrante por furtar garrafa de bebida alcoólica em Prudentópolis

Inmetro recomenda atenção na compra do bebê conforto

Multa de R$ 7 mil: desmatamento ilegal atinge área da Mata Atlântica em Fernandes Pinheiro

